quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Crônica eleitoreira na democracia dos blogs

Eleição, opinião e um pouco de blá... blá... blá...

Ah… época de eleição! Tempo no qual toda a cidade funciona. Vemos policiais nas ruas, serviços públicos funcionando, ou pelo menos, fingindo funcionar e toda a cidade num mar envolto de serviços, assistencialismos, e o melhor; políticos batendo ponto em seu cartão. Sim, sim, meu nobre amigo. Ligue para um gabinete nesta época! Certamente encontrará seu político lá, principalmente, se tiver engajado na campanha. Ou, então, seu assessor brevemente retornará sua ligação atendendo seu pedido. Peça tudo. Use e abuse. Nos outros três anos, não o verá mais.

Votos são como bala perdida: já não importa mais de onde saiu, o importante é onde atinge. Exatamente isso que os políticos pensam. Querem todos ser atingidos por seus votos, sem saber de quem e a quem fazer o bem. E, neste tiroteio de idéias, é fogo para todo o lado tentando acertar você, em sua maior necessidade. Apertam a mão de pobres, pegam crianças no colo, falam de prender o ladrão, consertar a tubulação, educação, inflação, aumento do pão, e tudo que é “ão”. E você acredita? Ah, bobão!

Outro dia estava passeando com meu carro tranquilamente, quando paro no sinal. Surgiu em minha frente um arrastão de pessoas. Era um rebanho de cabos eleitorais querendo de qualquer maneira crivar em meu veículo o adesivo de seu candidato. Todos, na mais cega de apoiar, sempre, seu líder à prefeitura do município. Como estavam engajadas tais pessoas sob o árduo sol das treze horas. Meu carro? É claro que não deixei colar o adesivo. Ainda dei uma espiada pelo retrovisor, e vi que nenhuma ovelha conseguiu colar.

Mas parece que as eleições me perseguem. Outro dia, indo atrasado para o dentista, numa calçada super estreita de uma rua do Méier, deparo-me com uma penca de cabos eleitorais, alvoroçados em cima de uma candidata. Eles estavam numa tremenda bagunça, superando até o cabelo despenteado da postulante à prefeitura. E a distribuição de panfletos? Eram santinhos jogados pra todo canto. A política de limpeza nas ruas, que com certeza, a candidata defende, não valia para seus próprios aliados. Após me desvencilhar, com sacrifício, da multidão, reparo um simpático gari. Com a vassoura no chão, os braços cruzados apoiados no cabo e olhando com um ar de decepção toda a sujeira. Essa perdeu um eleitor.

Upa! Já estou me estendendo. Nem falei das políticas imediatistas para apoiar alguns candidatos. E daqueles que são lançados como num jogo de pôquer? Um blefe pra vir mais forte na próxima eleição ou conseguir um cargo público. O assunto é tão longo, mas tão longo, que só de críticas daria um livro. Mas nessa eleição uma coisa há de convir: pelo menos no cargo principal, nos livramos do voto a um real.



Em que mais outro lugar, senão na liberdade dos blogs, poderia postar isso? Assim como todas as outras cidades, o Rio de Janeiro muda com as eleições. Por isso, olho vivo em quem votar!
Comentários
2 Comentários

2 comentários:

Anderson Marin Lima disse...

É a época ideal para consertarem todos os canos, os muros rachados, as carteiras quebradas nas escolas, darem uniformes novos... E ainda os horários eleitorais são uma comédia!

E os trios elétricos.. Eleição, pra mim, é quase sinônimo de carnaval...

Anônimo disse...

Texto cheio de subliminares...